Adversidades de Montalegre interromperam ciclo positivo

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Considerada uma das deslocações mais difíceis, a visita a Montalegre acabou por acontecer na pior altura do ano, na medida em que a chuva persistente que se tem feito sentir nos últimos dias em toda a região Norte acrescentou maiores dificuldades ao FC Vizela. Mas não foi só.

A arbitragem não esteve claramente ao nível das duas grandes equipas que se defrontaram num palco bastante encharcado, que motivou mesmo um atraso de dez minutos no apito inicial, de modo a serem remarcadas as linhas do retângulo de jogo.

A formação de Álvaro Pacheco até entrou bem na partida. Apesar das más condições do relvado, sobretudo nas faixas laterais, onde atuam os jogadores mais virtuosos, os vizelenses criaram algumas situações de perigo na primeira meia hora.

Logo aos 4’, Kiko Bondoso atirou ligeiramente por cima, na sequência de uma bola cruzada por Mendes, jogador que procurou alvejar a baliza com um belo remate em jeito, aos 11’.

À passagem do quarto de hora inicial, uma grande penalidade claríssima de Sele Davou sobre Samu ficou por assinalar no seguimento de um pontapé de canto. Samu foi carregado à margem das leis e, assim, impedido de rematar uma bola que permaneceu dentro da área, após uma primeira tentativa de João Faria.

O árbitro João Matos estava bem colocado, mas nada assinalou, motivando fortes protestos dentro e fora das quatro linhas. Se o lance tivesse sido bem ajuizado, talvez a história do encontro pudesse ser diferente a partir daquele instante.

Não obstante isso, o FC Vizela continuou a ser superior ao seu adversário que apenas fez a sua primeira aproximação à baliza de Cajó aos 22’. Antes disso, Samu ganhou um livre, que teve a barreira como obstáculo, aparecendo Ericson para uma recarga rasante à baliza.

Subitamente, a partir da meia hora, o Montalegre que, até aí, teve somente preocupações no plano defensivo, ameaçou mexer no placard com cinco situações em catadupa.

Koffi começou por dar o corpo ao manifesto, inviabilizando o destino do remate de Rúben Neves, aos 31’. Logo a seguir, foi Cajó, primeiro a desviar o cruzamento tenso de Lio com uma sapatada, depois a defender por instinto o cabeceamento “à queima-roupa” de Vítor Pereira.

Aos 35’, Rúben Neves acertou no poste com um remate em jeito e, no minuto seguinte, outra vez Vítor Pereira a surgir para o cabeceamento, desta vez a sair ligeiramente ao lado.

Depois desta série de sustos, o primeiro tempo terminou com duas aproximações perigosas à baliza do Montalegre. Samu, sempre muito dinâmico, fez o cruzamento chegado à baliza e Nuno Rafael teve de socar o esférico para fora da sua área. Mais tarde, aos 43’, foi Nuno Rafael a negar o golo a Fall com uma grande defesa, após excelente passe de Samu.

Ao intervalo, a chuva não dava indicações de qualquer trégua e as linhas tiveram de ser novamente marcadas, sendo previsíveis maiores dificuldades para o segundo tempo.

Fazer circular a bola com a qualidade que o FC Vizela habitualmente demonstra era um autêntico desafio, daí que atletas como Kiko Bondoso ou Mendes tenham procurado zonas mais interiores.

Ainda assim, os azuis da cidade termal entraram bem no recomeço, à semelhança do que se viu no primeiro tempo. Kiko Bondoso, logo aos 47’, ensaiou o remate à entrada da área.

Aos 51’, foi por muito pouco que Fall não chegou a uma bola cruzada por Samu. Estavam dados dois avisos, apesar das condições não serem nada favoráveis ao futebol dos vizelenses.

Contudo, aos 58’, na mesma área onde o penálti sobre Samu passou em claro, desta vez, João Matos, após hesitar um pouco, castigou uma falta de João Faria sobre Beto López, num lance em que ambos se emaranharam na disputa pela bola. Chamado à conversão, Tiago Oliveira acertou no poste e o resultado manteve-se na mesma.

O FC Vizela, que estava mais forte que o Montalegre nesta fase do encontro, dispôs de nova situação para poder chegar ao golo. Mendes ia colocá-la na gaveta, mas Nuno Rafael brilhou.

No entanto, o desgaste da dianteira começava a ser notório e, de rajada, Álvaro Pacheco lançou Cann e Diogo Ribeiro em campo.

Seria, porém, Cajó a evitar o pior com uma bela intervenção, negando o golo a Zack. A resposta foi pronta e, na jogada seguinte, Nuno Rafael fez a mancha a Diogo Ribeiro. Faltavam 15’.

O Montalegre, que apenas mexeu na equipa nos últimos dez minutos, acabou por ser brindado por um dos três jogadores lançados por José Manuel Viage.

Anderson Zangão entrou para bater um livre à entrada da área, surpreendeu a barreira com um remate rasteiro e bateu Cajó, estavam cumpridos 86’.

Contudo, é importante referir que, na génese do lance, Tiago Oliveira, que recebeu assistência fora do terreno, recebeu ordens para entrar numa altura em que Sele Davou iniciava um contra-ataque pelo lado direito, ficando o Montalegre em superioridade numérica para o cruzamento e para uma bola que viria a resultar no livre determinante. Decisão incompreensível do árbitro.

O certo é que o golo foi decisivo para o Montalegre, que assim interrompeu o ciclo positivo do FC Vizela e possibilitou o primeiro triunfo da sua história nos 9 jogos que ambos fizeram entre si.

A derrota não estava nos planos, naturalmente, mas a concorrência ajudou, pois, tanto Sporting de Braga ‘B’, como Fafe, saíram derrotados dos seus jogos, mantendo-se tudo igual no pódio.

O conjunto vizelense realiza o último jogo do ano civil no próximo domingo, dia 22. O adversário é o Mirandela e a partida terá início às 16:00 horas, devido à transmissão do Canal 11 da FPF.

 

Ficha Técnica

Resultado: Montalegre 1-0 FC Vizela

Local: Estádio Dr. Diogo Vaz Pereira (Montalegre)

Árbitro: João Matos (AF Viana do Castelo)

Assistentes: João Morte e João Mota

Montalegre: Nuno Rafael; Tiago Oliveira, Vítor Pereira, Álvaro Branco e Luan; João Fernandes (C), Rúben Neves e Lio; Sele Davou (Nandinho, 90’+1’), Beto López (Iano, 80’) e Zack (Anderson Zangão, 85’).

Suplentes não utilizados: Daniel Clemente, Ruizinho, Adão Silva e Muelson Samate.

Treinador: José Manuel Viage

FC Vizela: Cajó; Koffi, Matheus, João Faria e Kaká; Ericson, Zag (Landinho, 77’) e Samu; Mendes (Cann, 62’), Fall (Diogo Ribeiro, 67’) e Kiko Bondoso.

Suplentes não utilizados: Rafa, André Soares, Aidara e João Pedro.

Treinador: Álvaro Pacheco

Golo: Anderson Zangão (86’).

Cartões Amarelos: João Faria (56’), Beto López (59’), Nuno Rafael (70’) e Ericson (81’).