Cláudio recordou carreira em entrevista

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Cláudio, um dos jogadores mais emblemáticos do FC Vizela, colocou um ponto final na carreira de futebolista aos 39 anos de idade. Para trás, ficaram mais memórias positivas que negativas e uma ligação especial aos adeptos e ao clube e mais representativo da cidade termal.

O desafio agora será fora das quatro linhas com a simpatia e simplicidade que o carateriza. O carismático dono da “camisola 44” fará a ponte de ligação entre clube e massa associativa e será o responsável pelo Departamento de Marketing e Publicidade.

Em entrevista à nossa página oficial, Cláudio passou em revista uma carreira de quase duas décadas em solo lusitano e reviveu momentos inesquecíveis ao serviço do FC Vizela.

 

1 Balanço. Ficou a sensação que tudo passou rápido mas na verdade foram 17 anos a mostrar qualidades por esses relvados fora em Portugal. Que balanço fazes à tua carreira?

Um balanço muito positivo. Cheguei a Portugal com o sonho de poder atingir um dia a 1ª Liga. Com muita felicidade pude realizar esse sonho e, sem dúvida, deixei uma boa marca.

 

2 Subidas. Mais de metade deste percurso foi feito de rainha ao peito. Pelo FC Vizela conseguiste duas subidas de divisão. Consideras alguma mais especial que a outra ou não?

Quando se tratam de conquistas como essas, não existem sentimentos divididos. As duas subidas que tive aqui no FC Vizela foram especiais. Serão uma lembrança que levo para o resto da vida.

 

3 Momentos. Todo o percurso de um futebolista profissional é marcado por bons e mais momentos. Que momento consideras ter sido o melhor? E o pior?

Momentos bons foram vários. As duas subidas pelo FC Vizela, a subida à 1ª Liga pelo Gil Vicente, a final da Taça da Liga contra o Benfica e, por último, chegar ao fim de uma época no Gil Vicente, na 1ª Liga, e ser o melhor marcador da equipa, sabendo que, a nível nacional, nunca antes um defesa-central tinha feito tantos golos como eu durante uma época. Foram momentos muito gratificante. O pior foram as duas descidas de divisão que tive aqui no FC Vizela.

 

4 1ª Liga. Depois de 6 anos e meio aqui na cidade termal, em pouco tempo chegaste à 1ª Liga. No Gil Vicente tiveste o prazer de disputar uma final da Taça da Liga frente ao Benfica. Essa experiência adquirida significou um contributo especial para os anos seguintes?

Sem dúvida que sim. Muita gente que anda no futebol não sabe o significado do que é experiência no futebol. A experiência no futebol são os momentos vividos. Cada momento que vivemos serve de aprendizagem. Depois, quando mais tarde passamos pela mesma situação ou por algo parecido, sentimo-nos mais capacitados. A cada momento que vivi, recolhi experiências boas para serem usadas nos momentos seguintes.

 

5 Golos. Foi precisamente durante essa passagem pela 1ª Liga que aprimoraste outra grande qualidade para além da arte de bem defender, os golos…

Sempre tive a felicidade de fazer alguns golos ao longo da minha carreira. Acho que não foi só no Gil Vicente. A única diferença foi que no Gil Vicente havia outra visibilidade e a valorização era diferente.

 

6 Golos especiais. Dos 35 golos que marcaste pelo FC Vizela, houve algum em especial que tenha ficado mais vincado na tua memória?

Houve um que ficou marcado e será muito difícil de esquecer. Aconteceu num jogo em casa contra o Pedras Rubras. Estávamos a precisar daquela vitória para continuar na luta pela subida. Já nos descontos, tive a felicidade de fazer o golo e ganharmos o jogo. No momento não sabia se corria, se comemorava, se chorava. Realmente foi um momento para nunca mais esquecer.

 

7 2ª Liga. Curiosamente foi teu o 1º golo oficial do FC Vizela neste regresso às competições profissionais. Um regresso que não durou o tempo que todos nós desejaríamos. Foi complicado lidar com a pressão e exigência desta nova 2ª Liga? Sentes que hoje este campeonato está mais duro ou pelo menos diferente daquele que conheceste entre 2005 e 2009?

Pressão sinceramente acho que não foi. A 2ª Liga sempre foi dura e exigente. Acho que agora está mais competitiva. Pela quantidade de equipas está também mais desgastante. São muitos jogos seguidos que têm de ser muito bem geridos.

 

8 Balneário. Ao longo destes anos partilhaste balneário com inúmeros jogadores. É costume dizer-se que há grupos que ficam mais na memória que outros. Aqui no FC Vizela houve algum plantel que te tenha marcado mais profundamente?

Tive a felicidade de encontrar sempre bons balneários aqui no FC Vizela. O primeiro grupo quando cheguei ao clube ficará sempre mais marcado por ter sido o primeiro. Mas consegui fazer grandes amizades com muitos jogadores.

 

9 Peripécias. Dizem que do futebol colhem-se boas amizades, lembranças ou histórias engraçadas que ficam para toda a vida. Tens alguma peripécia divertida que possas partilhar connosco? Ah, porquê “Peninha”?

Uma engraçada foi com André Cunha (Padeiro) que era miúdo. Acho que ainda era júnior, mas treinava connosco algumas vezes. Ele gostava muito de brincar. Juntámos alguns no balneário, pegámos nele e enrolámo-lo com ligadura e fitas. Depois colocámo-lo dentro desses carrinhos de obra e, antes do treino, deixámos o André no meio-campo. E então fomos treinar, demos a volta de aquecimento enquanto ele ficou amarrado ali no meio-campo dentro do carrinho. Foi uma grande risada. Houve outras, mas não posso falar aqui (risos)…

Peninha porque na altura havia um jogador chamado Pena no FC Porto, que fazia muitos golos. Eu jogava no Canelas-Gaia e também fazia alguns golos, daí uns colegas em tom de brincadeira começarem a chamar-me de “Peninha”.

 

10 Futuro. Para fechar esta entrevista, porquê Vizela? Continuar ligado ao clube sempre fez parte dos teus planos? Apesar da descida, como vês o clube atualmente? Sentes que o FC Vizela reúne agora mais e melhores condições para voltar mais forte?

Vizela, porque como emigrante, já que estamos longe dos nossos familiares do Brasil, procuramos um lugar onde possamos estar mais confortados e bem acolhidos. Sem dúvida que aqui é o lugar onde nos sentimos bem.

Não costumo fazer planos, o que faço é dar sempre o meu melhor naquilo que me compete e depois as coisas vão acontecendo naturalmente.

Sinto que o clube está bem estruturado e com as ideias certas para podermos voltar de onde não deveríamos ter saído. Acredito que vamos voltar, desta vez, para ficar. Aproveito para fazer um apelo: temos de nos unir em busca desse objetivo. Unidos iremos conseguir.

 

CARREIRA DE CLÁUDIO EM PORTUGAL

2016/17 | FC Vizela (7 jogos; 2 golos)

2015/16 | FC Vizela (23 jogos; 8 golos)

2014/15 | FC Vizela (21 jogos; 8 golos) / Trofense (16 jogos; 0 golos)

2013/14 | Académico de Viseu (35 jogos; 3 golos)

2012/13 | Gil Vicente (30 jogos; 5 golos)

2011/12 | Gil Vicente (32 jogos; 10 golos)

2010/11 | Gil Vicente (31 jogos; 1 golo)

2009/10 | FC Vizela (14 jogos; 2 golos / Trofense (15 jogos; 0 golos)

2008/09 | FC Vizela (31 jogos; 3 golos)

2007/08 | FC Vizela (29 jogos; 2 golos)

2006/07 | FC Vizela (31 jogos; 1 golo)

2005/06 | FC Vizela (32 jogos; 2 golos)

2004/05 | FC Vizela (35 jogos; 5 golos)

2003/04 | FC Vizela (31 jogos; 2 golos)

2002/03 | Lousada (35 jogos, 2 golos)

2001/02 | Canelas (35 jogos; 6 golos)

2000/01 | Ovarense (3 jogos; 0 golos)